Oficinas de Produção

É possível encontrar, no Brasil, muitos resultados positivos nas variadas tentativas de inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A contratação da sua mão-de-obra comprova que muitas delas têm plenas condições para trabalhar. Essa contratação acaba sendo o resultado de atividades várias em prol da sua independência pessoal e social.

No entanto, não se pode jamais esquecer do muito que precisa ainda ser feito por aquelas outras pessoas com deficiência que não apresentam condições para enfrentar uma atividade competitiva.

Nesse grande volume de conquistas está a parcela de responsabilidade dos esquemas de reabilitação profissional mantidos pelos muitos Centros do Instituto Nacional de Seguridade Social espalhados pelo Brasil e por outros relativamente poucos programas da área privada.

Existem critérios múltiplos para que a seleção da mão-de-obra para uma empresa seja correta, levando em consideração fatores diversos que caracterizam a empregabilidade: idade, preparo escolar, atitudes, constituição física, documentação, sexo e outros mais.

Considerados esses critérios, o desafio passa a ser este, na prática: ou preparam competidores para esse mercado de trabalho, ou as pessoas que apresentam desvantagens várias devido a algum tipo de deficiência caminharão para frustrações, sem oportunidades confiáveis para uma vida normal.

Dentro desse contexto, face ao que estabelece o Decreto 3298/99, não há dúvida de que é fundamental que as pessoas com deficiência sejam devidamente preparadas para o grande desafio da vida de trabalho, através de orientações e vivências que uma Oficina de Produção consegue oferecer organizadamente.

Senão, vejamos: as Oficinas de Produção, como são identificadas pela Organização Internacional do Trabalho, têm sido montadas como um recurso objetivo para levar pessoas nelas engajadas a uma preparação segura no sentido de sua absorção pelo mercado de trabalho.

No entanto, para ter sucesso, tais recursos precisam estar lastreados em bases conceituais muito claras, face à realidade local. É preciso que seus organizadores tenham um objetivo conhecimento do cerne da questão, ou seja, das necessidades das pessoas com deficiência a serem cobertas e da realidade local. E devem estar prontos para enfrentar as dificuldades naturais a serem superadas para terem condições de organizar essas oficinas (Veja exemplo anexo da UNIRIS).

Alguns posicionamentos prévios devem ser claramente discutidos e repassados à equipe profissional, para que seus profissionais introjetem seus conteúdos e preparem-se para os problemas a serem enfrentados na melhor definição operacional.

Nenhuma Oficina de Produção deve ignorar a realidade industrial, comercial e de serviços que a cerca e sua equipe deve definir com precisão seus critérios de elegibilidade e estar familiarizada, por exemplo, com os mais variados aspectos das subcontratações de atividades as mais variadas, por empresas que desejam terceirizar serviços ou produtos.

Acresce a essas questões, o domínio indispensável de planos para a retribuição financeira às pessoas inseridas na Oficina de Produção, a fim de garantir o seu interesse na vida de trabalho, seus profissionais devem também adotar técnicas que considerem aspectos básicos do aprendizado de um adulto e da necessidade de trabalhar sistematicamente em todos os ângulos do seu desenvolvimento pessoal e social.

Trata-se, na verdade, de um empreendimento ciclópico, que torna quase sem sentido tudo aquilo que tem sido muito comum em nosso meio.

(*) Equipe do Centro de Referências FASTER

 
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