Variedades

O Papa João Paulo II
e o Trabalho das Pessoas com Deficiência

foto - Papa João Paulo II
Na sua Encíclica Laborem Exercens, publicada em 14 de setembro de 1981 - durante o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, portanto - o Papa João Paulo II, com sua habitual profundidade, assim se manifestou quanto a variados ângulos da questão do trabalho das pessoas com deficiência:

Recentemente as comunidades nacionais e as organizações internacionais têm dirigido sua atenção a um outro problema que está ligado ao mundo do trabalho e que está repleto de incidências: o das pessoas com deficiência. São elas também sujeitos plenamente humanos, com seus correspondentes direitos inatos, sagrados e invioláveis,que, apesar das limitações e dos sofrimentos gravados em seus corpos e em suas faculdades, colocam mais em relevo a dignidade e a grandeza do homem. Dado que a pessoa com deficiência é um sujeito com todos os direitos, deve-se facilitar a ela a participação na vida da sociedade em todas as dimensões e a todos os níveis que sejam acessíveis a suas possibilidades.


Foto - João Paulo II
A pessoa com deficiência é um de nós e participa plenamente da nossa mesma humanidade. Seria radicalmente indigno do homem e a negação da comum humanidade admitir na vida da sociedade, e, por conseguinte, no trabalho, unicamente aos membros plenamente funcionais, porque fazendo assim, cair-se-ia em uma grave forma de discriminação, a dos fortes e sãos contra os fracos e enfermos. O trabalho no sentido objetivo deve estar subordinado, também nesta circunstância, à dignidade do homem, o sujeito do trabalho, e não às vantagens econômicas.

Corresponde, por conseguinte, às diversas circunstâncias implicadas no mundo do trabalho, tanto ao empresário direto quanto ao indireto, promover, com medidas eficazes e apropriadas, o direito da pessoas com deficiência à preparação profissional e ao trabalho, de maneira que ela possa integrar-se em uma atividade produtiva, para que seja idônea.

Isto implica em muitos problemas de ordem prática, legal e também econômica, mas cabe à comunidade, ou seja, às autoridades públicas, às associações e aos grupos intermédios, às empresas e às próprias pessoas com deficiência, aportar conjuntamente idéias e recursos para chegar a essa finalidade irrenunciável: que se ofereça um trabalho às pessoas com deficiência, segundo suas possibilidades, dado que o exige sua dignidade de homens e de sujeitos do trabalho.


foto - João Paulo II
Cada comunidade deverá manter estruturas adequadas com o fim de encontrar ou criar postos de trabalho para tais pessoas, tanto em empresas públicas quanto em privadas, oferecendo um posto normal de trabalho ou um mais adequado nas empresas e nos assim chamados ambientes "protegidos".

Será necessário prestarmos bastante atenção, a mesma que para os demais trabalhadores, às condições físicas e psicológicas das pessoas com deficiência, à justa remuneração, às possibilidades de promoção e à eliminação dos variados obstáculos. Sem ter que ocultar que se trata de um compromisso complexo e nada fácil, é de se desejar que uma concepção correta do trabalho, no sentido objetivo, leve a uma situação que dê à pessoa com deficiência a possibilidade de sentir-se, não à margem do mundo do trabalho ou em situação de dependência da sociedade, mas como um sujeito do trabalho de pleno direito, útil, respeitado por sua dignidade humana, chamado a contribuir para o progresso da comunidade, segundo suas próprias capacidades.


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